A verdadeira conversão

O tempo da quaresma é favorável para revermos a nossa vida e olharmos para a nossa conversão. Quando Jesus nos chama para nos arrependermos e crermos, ele está nos chamando à conversão. É uma mudança radical naquilo que cremos e fazemos.

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Quando Jesus nos chama para tomarmos a nossa cruz e o seguirmos, ele está nos chamando à conversão. A conversão nunca pode ser forçada, mas é absolutamente necessária para a salvação. Muitas pessoas se queixam de que o fervor inicial da conversão se apagou. Essas pessoas pensam que seus pecados sejam responsáveis por isso. É possível até que tentem, por meio de esforços de boa vontade, mas será que essa conversão foi feita para durar?

Caríssimos, a conversão diferentemente do batismo por exemplo, não imprime caráter. Portanto, tem que ser renovada a cada dia, pois corremos o risco de voltarmos a versão anterior. A renovação deve ser diária. Assim como o corpo físico revigora-se diariamente, nosso homem interior precisa de constante renovação para manter-se fortalecido e plenamente saudável espiritualmente.

É a vontade universal salvífica de Deus que quer que todos os homens sejam salvos e venham ao conhecimento da Verdade.

“O qual deseja que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade.” I Tm 2,4.

Há profunda diferença entre convicção e arrependimento do pecado. Quantos se convencem dos seus pecados, mas deles não se arrependem, impedem que o Espírito Santo complete a obra da conversão. Toda renovação autêntica exige conversão de pessoas e estruturas, tendo em vista que individualidade e coletividade constituem dois aspectos de uma realidade única que é a vida humana. Converter significa optar por uma nova direção e a partir dessa, refazer os objetivos e as estratégias de ação e em muitos casos, o próprio modo de ser. O convertido vive uma dinâmica permanente de conformar-se a uma direção escolhida e de reafirmar constantemente essa escolha como orientação fundamental de vida. Seguir a Cristo se constituiu numa auto compreensão e antes numa prática de renascimento da pessoa. O cristão é aquele que renasce em Jesus Cristo, tornando-se um homem novo, Rm 6, 3-11, explica o apóstolo Paulo.

“Ou ignorais que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na sua morte pelo batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos uma vida nova. Se fomos feitos o mesmo ser com ele por uma morte semelhante à sua, sê-lo-emos igualmente por uma comum ressurreição.

Sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que seja reduzido à impotência o corpo (outrora) subjugado ao pecado, e já não sejamos escravos do pecado. (Pois quem morreu, libertado está do pecado.)

Ora, se morremos com Cristo, cremos que viveremos também com ele, pois sabemos que Cristo, tendo ressurgido dos mortos, já não morre, nem a morte terá mais domínio sobre ele. Morto, ele o foi uma vez por todas pelo pecado; porém, está vivo, continua vivo para Deus! Portanto, vós também considerai-vos mortos ao pecado, porém vivos para Deus, em Cristo Jesus.”

O serviço e o diálogo são as atitudes fundamentais da conversão em nossos dias de modernidade avançada, marcada pelo individualismo e pela busca do maior bem-estar com o menor esforço. A atitude de convertido é resistência, testemunho e ação que provoca transformações, ainda que, muitas vezes, quase imperceptíveis. Na medida em que a Igreja, todo o povo de Deus, se converte, ela modifica o mundo e modifica, antes de tudo a si mesma. Infelizmente, muitos esfriam na fé e perdem o contato com a Fonte da Graça. Há muitas pessoas que conhecem a verdade, mas não conservaram seu amor pelo Senhor, nem a alegria de outrora. Não aplicam o que ouvem da Palavra de Deus às suas vidas. Estão próximas da igreja, mas distantes de Cristo, são os considerados cristãos nominais só de nome.

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Enfim, o fogo não pode se apagar. Mas para o fogo não se apagar é necessário lenha continuadamente no altar. O cristão não pode viver de porções passadas que serviram para a estruturação da sua fé, da sua comunhão com Deus. Tudo aquilo que serve de alimento espiritual deve ser cultivado e mantido em porções diárias, sempre renovadas a cada instante, para que o fogo continue ardendo. Deixemos a semente morrer para que nasça um fruto novo.

A abraço fraternal,
Diácono Glen Borba Carreira

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