O pecado da murmuração

Esse é o nosso assunto de hoje!

O pecado da murmuração nasce entre aqueles que ainda acreditam na felicidade deste mundo. Descubra nesta matéria os males desse vício e aprenda a combatê-lo.

Uma doença muito comum entre padres, freiras e outras pessoas dedicadas ao apostolado é a murmuração. Esse verdadeiro vício, que consiste em uma falta de disposição para aceitar as contrariedades do dia a dia, tem causado enormes estragos na vocação cristã, sobretudo entre aqueles que ainda se encontram na fase inicial da vida de oração. Se não for remediado em tempo devido, pode não só arruinar o trabalho apostólico da pessoa, como afastá-la definitivamente do caminho de Deus. É por isso que o Diabo incentiva tanto os pensamentos críticos e a maledicência no meio religioso.

A murmuração é um típico pecado da língua, pelo qual a pessoa expressa seu aborrecimento e má vontade para realizar alguma ação que não lhe é agradável.

O murmurador acaba repetindo a mesma atitude daqueles que o salmista condena por colocarem suas forças nas próprias palavras:

“Dominaremos pela nossa língua, nossos lábios trabalham para nós, quem nos será senhor?” (Sl 11, 5).

É desse tipo de atitude que nascem as fofocas, as intrigas, os sarcasmos e tantos outros pecados contra a caridade, os quais deveriam estar bem longe de um coração temente a Deus.

Mas como pode um pecado assim grosseiro estar tão presente na vida de muitos cristãos piedosos? O que estaria na origem das murmurações de sacerdotes, religiosos e lideranças leigas?

Os autores espirituais costumam relacionar os pecados da língua ao vício do orgulho. A murmuração, por sua vez, não é uma exceção. Ela nasce justamente de uma falta de retidão na entrega diária, pelo que a pessoa se sente no direito de contestar a vontade de Deus.

“A murmuração é particularmente um inimigo nefasto da unidade no apostolado: ‘é crosta que suja e entorpece o apostolado’. — Vai contra a caridade, tira forças, rouba a paz, e faz perder a união com Deus”, adverte São Josemaria Escrivá (Caminho, n. 49).

No caso dos missionários, isso é ainda mais flagrante quando o padre ou o religioso, por exemplo, se desaponta com alguma contradição e pensa: “Mas Deus, eu já renunciei a tantas coisas, por que tenho ainda de passar por mais esse sofrimento? Já não foi o bastante ter deixado pai e mãe, esposa e filhos?” E assim o sujeito se ressente de sua vocação e começa a enxergar tudo nublado, porque a sonhada felicidade não veio depois da ordenação ou da profissão religiosa. Inúmeras são as vocações que se perdem por causa dessa cegueira espiritual.

Os jovens sacerdotes, por exemplo, caem frequentemente na ilusão da felicidade terrena.

Depois dos anos sofridos de seminário, pensam, agora terão a bajulação dos fiéis, o afago dos presentes e a confiança do bispo. E qual não é a surpresa deles quando descobrem que, na verdade, ser padre é começar a sofrer! Os que não estão preparados para o martírio logo se decepcionam e cedem à murmuração. Tornam-se verdadeiras gralhas pessimistas, grasnando suas dores para qualquer um e em qualquer lugar. O sacerdócio se torna uma desgraça.

O primeiro remédio contra a murmuração, portanto, deve ser o da pobreza evangélica. Os cristãos precisam desapegar-se desta vida, deste mundo efêmero, para colocarem suas esperanças de felicidade somente no Céu. Vale a pena recordar o testemunho de Santa Bernadette sobre o que representava para ela o cumprimento de sua missão como vidente de Nossa Senhora. Após os eventos de Lourdes, a pequena pastorinha não quis receber os aplausos do mundo, mas refugiar-se em um convento onde seria uma simples religiosa como outra qualquer. Ela sabia por meio da Mãe de Deus que não estava destinada aos prazeres mundanos, mas à felicidade eterna:

A pequena Bernadette […] seguiu sua vida no escondimento, como se nada tivesse acontecido. Voltou a ser uma simples jovem. Sentindo a necessidade de afastar-se do mundo e das especulações de curiosos, decide-se pelos votos religiosos e entra para o convento das Irmãs da Caridade, em Nevers, França. Com uma saúde ainda mais frágil, é obrigada a passar pelas mais duras humilhações, a ponto de ter de ouvir dos lábios da superiora, e na frente do bispo, “que não servia para nada”. Oferece tudo ao Coração de Jesus como consolo e reparação às ofensas dos homens.

Bernadette viveu seus últimos anos em oração e grande agonia. ” Não lhe prometo a felicidade neste mundo, somente no próximo”. As palavras que a Virgem lhe dirigira nas primeiras aparições cumpriram-se fatalmente. A santa entregou-se como holocausto pela conversão e salvação dos pecadores. Morreu no dia 16 de abril de 1879, aos 35 anos, devido a sérias complicações causadas pela tuberculose. Suas últimas palavras: “Ó minha Senhora, eu vos amo. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por mim”. Com o corpo incorrupto, a “que não servia para nada” foi elevada às glórias dos altares em 1933 pelo Papa Pio XI. A felicidade eterna a havia alcançado.

Notem: Bernadette atingiu o cume da santidade por uma vida simples, sem glórias humanas, totalmente voltada para o cumprimento da vontade de Deus. Nunca murmurou contra suas dores. Ao contrário, seu pedido constante no leito de agonia não era para que Deus abreviasse seu sofrimento, mas para que lhe desse “paciência”. Isso tudo porque sabia, pela promessa de Nossa Senhora — “Não lhe prometo a felicidade neste mundo, somente no próximo” —, que não passaria por esta vida sem sérios tormentos. Por isso, seguiu fielmente o conselho de São Paulo aos filipenses: “Fazei todas as coisas sem murmurações nem críticas, a fim de serdes irrepreensíveis e inocentes, filhos de Deus íntegros no meio de uma sociedade depravada e maliciosa, onde brilhais como luzeiros no mundo” (Fl 2, 14-15).

O cristão, é claro, não deve ser uma pessoa triste, amargurada pelas cruzes do dia a dia. Mas sua alegria vem exatamente da certeza de que estas cruzes cessarão e, no Céu, eles encontrarão a paz completa e eterna, como Santa Bernadette e os demais santos. Com uma fé sólida na realidade dos novíssimos, nenhum sacerdote ou religioso terá motivos para se queixar de algo, pois aquele que espera apenas em Deus “dessa forma, no dia de Cristo”, sentirá a “alegria em não ter corrido em vão, em não ter trabalhado em vão” (Fl 2, 16).

Espero que tenham gostado desse texto que trouxemos pra vocês hoje! 

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Fonte: Paulo Ricardo; por Equipe Christo Nihil Praeponere

 

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