O Incenso

A maioria de nós vê o incenso nas Missas solenes, mas não sabemos o seu significado.

É importante lembrar que o uso do incenso na liturgia católica não tem nada a ver com defumadores usados nas religiões espíritas e nem incensos vendidos e usados pelas seitas orientais.

Origem

É uma resina gomosa que brota na forma de gotas da árvore Boswellia Carteri, arbusto que cresce na Ásia e na África.

Significado

– Ao Senhor Deus oferece-se incenso. É adoração e honra.
– Incenso é louvor e adoração às coisas sagradas, e ao próprio Deus. É algo litúrgico.
– Diante da tenda da Aliança Israelita de Jerusalém, o lugar chamado Santo dos Santos se encontrava o altar do incenso.
A primeira página da história da Nova Aliança é escrita enquanto Zacarias, pai de São João Batista, oferece sacrifício do incenso no santuário do templo. (Lucas 1,9): “coube-lhe por sorte, segundo o costume em uso entre os sacerdotes, entrar no santuário do Senhor e aí oferecer o perfume.”
É uma riqueza litúrgica, no início da Missa quando se rodeia o altar com incenso. É uma glorificação e honra ao Rei e Senhor, pois o altar da igreja representa Cristo.
– No Ato Penitencial o incenso se destina a purificar, limpar, expiar os pecados.
– No Evangelho que vai ser lido o incenso é respeito e veneração ao Livro Sagrado, uma homenagem a Cristo que nos fala.
– Quando se incensa as oferendas o pão e o vinho, o altar, o celebrante e outros sacerdotes presentes, o povo de Deus, meditamos dentro de nós: Eleve-se Senhor, minha oração como este incenso à vossa presença, e desça sobre nós a Vossa Misericórdia.
É por tudo isso que o incenso deve ser recebido com alegria.
O incenso exprime nossa libertação do “hálito penitencial” do pecado, tornando-se expiação e perdão.
Olhando a nuvenzinha de fumaça que se eleva, se inclinando e desce, pensamos em nossa oração e louvor que sobe e na graça divina que desce.
Olhando o pequeno fogo de carvão no fundo do turíbulo, ele nos fala do calor que devemos ter para com Deus. É uma honra prestada a Deus.
O queimar incenso ou a incensação exprime reverência e oração.

O incenso na Sagrada Escritura

O incenso fazia parte da mistura aromática sagrada destinada a Deus (Ex 30, 34) e se transformou em símbolo de adoração. “O Senhor disse a Moisés: ‘Toma aromas: resina, casca odorífera, gálbano, aromas e incenso puro em partes iguais.’”
Com a oferta do incenso os magos do Oriente adoraram o menino Jesus como o recém-nascido Salvador do Mundo. Quando no momento da consagração se incensa o Corpo e Sangue do Senhor, elevados para adoração dos fiéis, recordamos a Epifania: Mateus 2, 11: “Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dele, o adoraram. Depois, abrindo seus tesouros, ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra”. (Com estes presentes oferecidos pelos Magos surgiu a tradição de dar presentes no Natal, em celebração do nascimento de Jesus. Em diversos países a principal troca de presentes é feita no dia 6 de Janeiro – festa de Reis, no Brasil – e os pais muitas vezes se disfarçam de reis magos.
Ungirás com ele a tenda de reunião e a arca da aliança, a mesa e seus acessórios, o candelabro e seus acessórios, o altar dos perfumes, o altar dos holocaustos e todos os seus utensílios, e a bacia com seu pedestal. Depois que os tiveres consagrado, eles tornar-se-ão objetos santíssimos, e tudo o que os tocar será consagrado. Ungirás Aarão e seus filhos, e os consagrarás, para que me sirvam como sacerdotes. (Ex 30, 26-30)
A oferenda do incenso e a oração são sacrifícios apresentados a Deus, como diz o salmo 140, que proclama: ‘Que minha oração suba até vós como a fumaça do incenso, que minhas mãos estendidas para vós sejam como a oferenda da tarde.’ Com estas palavras, na Igreja Oriental, o celebrante ora durante as Vésperas e Laudes matutinas dos dias de festa espalhando em torno de si o perfume do incenso.
No último livro do Antigo Testamento, o Apocalipse, João vê vinte e quatro anciãos que estavam diante do Cordeiro de Deus, com arpas e taças de ouro cheias de incenso: São as orações dos santos (Ap 8,3-4): “Adiantou-se outro anjo e pôs-se junto ao altar, com um turíbulo de ouro na mão. Foram-lhe dados muitos perfumes, para que os oferecesse com as orações de todos os santos no altar de ouro, que está adiante do trono. A fumaça dos perfumes subiu da mão do anjo com as orações dos santos, diante de Deus.”
 “Que minha oração suba até Vós como a fumaça do incenso, que minhas mãos estendidas para Vós, sejam como a oferenda da tarde.”(Sl 140, 2)

História

Os cristãos adotaram cedo o uso do incenso. Em Jerusalém, no século IV, já se empregava em todos os grandes Ofícios. Antes disso, Os incensos não podiam ser usados abertamente nos primórdios da Igreja Cristã, uma vez que evidenciariam a ocorrência das celebrações cristãs, que na época ocorriam de forma secreta. Ainda hoje o queima para honrar o altar, as relíquias, os objetos sagrados, os sacerdotes e os próprios fiéis, e para propiciar a subida ao céu das almas dos falecidos no momento das Exéquias
Queimadores de incenso foram encontrados em Jericó em 7500 a.C.
O Incenso do Líbano e a Mirra foram dois dos presentes dos Magos a Jesus Cristo.
Para várias culturas, o incenso é um elo com o sagrado. “A fumaça aponta para o mistério de Deus, ajuda a transcender”, diz Maria Ângela Vilhena, professora do Departamento de Teologia e Ciências da Religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Na Liturgia

Nos Cânones Apostólicos, o incenso é um dos requisitos nas Cerimônias de Eucaristia. As práticas de sacrifícios evoluíram do primitivo sacrifício de animais para o uso atual do incenso. Na utilização de incensos nas missas, podemos perceber o turíbulo como o antigo altar de sacrifício, no qual é ofertada a resina, que é em essência o sangue da árvore. Este sangue é então queimado em sacrifício. O recipiente no qual fica o incenso antes de sua utilização é a representação de um barco; sendo que os mais antigos lembram a Arca de Noé.
O recipiente em que se queima o incenso é chamado incensário ou turíbulo.
Graças à benção propiciada pelo incenso antes de seu uso, ele chega a ser um sacramental (sinal sagrado, que possui certa semelhança com os sacramentos e do qual se obtém efeitos espirituais).
O incenso deve envolver toda uma atmosfera sagrada de oração que, como uma nuvem perfumada, sobe até Deus. O agitar do turíbulo em forma de cruz recorda principalmente a morte de Cristo e seu movimento em forma de círculo revela a intenção de envolver os dons sagrados e de consagrá-los a Deus.
Na consagração solene de um altar, depois da unção da mesa, queima-se incenso e outros aromas sobre os cinco pontos do altar. O bispo interpreta esse gesto com as palavras: “Suba até vós, Senhor, o incenso de nossa oração; e como o perfume se espalha por este templo, assim possa tua Igreja expandir para o mundo o suave perfume de Cristo.
A incensação do altar faz-se com simples ictus (ligeiro movimento de oscilação) do seguinte modo:
a) se o altar está separado da parede, o sacerdote incensa-o em toda a volta;
b) se o altar não está separado da parede, o sacerdote incensa-o primeiro do lado direito e depois do lado esquerdo. Se a cruz está sobre o altar ou junto dele, é incensada antes da incensação do altar; aliás, é incensada quando o sacerdote passa diante dela.
O sacerdote incensa as ofertas com três ductos do turíbulo, antes de incensar a cruz e o altar, ou fazendo, com o turíbulo, o sinal da cruz sobre elas
O incenso é utilizado em missas solenes em uma homenagem a Deus.
No momento em que o padre e os fiéis são incensados sobe até os céus um louvor a Deus.
Pode usar-se o incenso em qualquer forma de celebração da Missa:
a) durante a procissão de entrada;
b) no princípio da Missa, para incensar a cruz e o altar;
c) na procissão e proclamação do Evangelho;
d) depois de colocados o pão e o cálice sobre o altar, para incensar as ofertas, a cruz, o altar, o sacerdote e o povo;
e) À ostensão da hóstia e do cálice, depois da consagração.
O sacerdote, ao pôr o incenso no turíbulo, benze-o com um sinal da cruz, sem dizer nada.
Antes e depois da incensação, faz-se uma inclinação profunda para a pessoa ou coisa incensada, exceto ao altar e às ofertas para o sacrifício da Missa.
Incensam-se com três ductos (impulsos horizontal) do turíbulo: o Santíssimo Sacramento, as relíquias da santa Cruz e as imagens do Senhor expostas à veneração pública, as ofertas para o sacrifício da Missa, a cruz do altar, o Evangeliário, o círio pascal, o sacerdote e o povo.
Com dois ductos incensam-se as relíquias e imagens dos Santos expostas à veneração pública, e só no início da celebração, quando se incensa o altar.
Da próxima vez que ouvirmos referências ao incenso em uma das partes mais importantes do sacrifício da Missa, lembremo-nos que o incenso é bem mais do que apenas fumaça:
“Como este incenso que se eleva em tua presença, Oh Senhor, assim venha a nossa prece alçar-se diante de teus olhos. Que os teus santos anjos venham rodear o teu povo e infundir-lhes o espírito de tua bênção”.
Esperamos que tenha gostado.
Tem dica de algum tema? Dúvida sobre algum assunto? Entre em contato com a gente e quem sabe a sua sugestão ou dúvida não apareça por aqui.
Até a próxima!
Fonte: Papo Católico
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