Quantas vezes você mesmo foi o seu maior inimigo?

Você já parou para se perguntar quantas vezes você mesmo foi o seu maior inimigo?

De início, citaremos o sétimo capítulo da carta de São Paulo aos Romanos. Nele, Paulo apresenta magistralmente a constante luta que travamos contra nós mesmos. Trata-se de uma luta diária e sem trégua, uma batalha entre o homem espiritual e o homem carnal. Embora, no versículo 18, o próprio Paulo reconheça que o “querer bem” está ao alcance de todos, porém, praticá-lo não está.

Esse combate interior leva Paulo a uma constatação pouco confortável para quem deseja seguir a Cristo e aos seus ensinamentos, ei-la: “Não faço o bem que quero, mas faço o mal que não quero”. Quem de nós nunca experimentou esse impulso que nos leva a fazer o mal que não queremos e a não fazer o bem que tanto almejamos? Afinal, qual seria a origem desse arroubo para o mal?

O mito dos cavalos velozes e do cocheiro de Platão

Para nos ajudar a entender melhor esse impulso mal que nos persegue, quero narrar, em poucas palavras, um dos mais belos e conhecidos mitos gregos: o “mito dos cavalos alados” ou “mito do cocheiro”. Essa alegoria foi escrita pelo filósofo Platão (427 a.C.) e relata o grande desafio que o ser humano enfrenta para dominar a si mesmo.

Segundo esse mito, os seres humanos seriam os condutores de uma bela e veloz carruagem. Essa é puxada por dois cavalos muito distintos entre si. Um deles, belo e corajoso, representaria o lado dócil e honesto do ser humano, dotado de sobriedade e de pudor. Esse cavalo não deve ser maltratado, e sim dirigido pela voz de comando e pela palavra. Esse cavalo tende a apontar para o Céu (para Platão, o mundo das ideias).

O outro cavalo, por sua vez, é oposto ao primeiro. Mau, disforme, pesado e amante dos excessos. Segue o seu caminho sem firmeza e com o pescoço baixo. É amigo da soberba e da devassidão. Esse obedece, apenas e a contragosto, ao chicote e ao açoite do cocheiro. Você consegue identificar esse “cavalo” dentro de você?

Temos aqui uma belíssima analogia. Nossa alma seria essa carruagem puxada por esses dois cavalos que tem por cocheiro a razão humana. Ela, a razão, é quem deve conduzir essa carruagem para o bem e para a virtude.

Nosso “eu rebelde” precisa ser tratado com rigor.

Esse mito está de uma maneira parcialmente trabalhada, para dizer: precisamos lutar e dominar o nosso “eu rebelde”, o homem velho, esse cavalo xucro que portamos no nosso interior. E, se for preciso usar de um chicote para dominá-lo, use. Não foi por acaso que Nosso Senhor disse que o Reino dos Céus é arrebatado à força e são os violentos que conseguem conquistá-lo (cf. Mt 11, 12).

Contra quem combatemos?

O Catecismo da Igreja Católica, no parágrafo 2725, traz um questionamento: “Contra quem combatemos?”. Ele mesmo responde: “contra nós mesmos e contra as astúcias do Tentador”, que quer nos desviar cada vez mais de Deus. E, por falar no Tentador, em muitos momentos somos tentados a colocar a culpa no outro pelo fato de não estarmos conseguindo escolher pelo bem.

Você já reparou que é muito mais comum achar que o outro é que nos leva a fofocar, a murmurar, a pensar o mal, a pecar? Temos muito mais facilidade em apontar o outro enquanto instigador do nosso pecado, sendo que, deveríamos reconhecer que pecamos porque somos falhos. Parece que a todo tempo estamos buscando justificar o mal que cometemos. Temos muita facilidade de enganarmos a nós mesmos e de sermos militantes da nossa própria causa.

Afinal, enfrentar ou não enfrentar?

Dificilmente conseguimos suspender os juízos, recuar alguns passos e olhar para dentro de nós com o olhar da razão. Isso seria o mesmo que causar sérias avarias na nossa autoimagem. Seria, em muitos casos, insuportável. Se o fizéssemos, descobriríamos egoísmos, fragilidades, mesquinharias, pecados. Essa situação seria inconveniente torturante para quem se considera o “super-homem” ou a “mulher maravilha”.

Contudo, é preciso dar um passo a mais! É muito mais fácil enfrentar um oponente externo, porém, enfrentar um oponente interno pode não ser tão fácil assim. Em outras palavras, encarar ou enfrentar (com verdade) os nossos próprios fracassos é uma tarefa para poucos. Somente os que abraçaram verdadeiramente essa causa, mais ainda, essa missão, conseguem.

Peçamos a Deus o dom da fortaleza!! 

 

 

Fonte: Canção Nova

11

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: